A trajetória dos irmãos Campana


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A trajetória dos irmãos Campana
 
O inconformismo que leva os irmãos Campana a criar móveis inusitados vem de Brotas, cidade do interior paulista. Humberto nasceu em Rio Claro, mas cresceu lá ouvindo o poeta Roberto Piva, dito “maldito”, que os introduziu ao mundo do polêmico arquiteto Flávio de Carvalho. “Ele nos fez buscar um mundo de formas mais densas e menos convencionais”, diz Fernando, que nasceu em Brotas e, em 1984, se formou em arquitetura pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Na época, Humberto, que fez direito na USP, já havia desistido da carreira de advogado para se dedicar ao design. Juntos, criaram o Estúdio Campana há 22 anos e lançaram móveis usando materiais recicláveis, quando pouco se falava em sustentabilidade, com formas surpreendentes. “Nosso trabalho é testar os limites dos materiais para ver o que proporcionam à estética e ao conforto”, diz Humberto. Na Itália de seus ascendentes – Campana, do pai, e Piva, da mãe –, eles venceram o preconceito para entrar com suas peças. “A partir da aceitação na Itália, passamos a ser vistos com maior seriedade, inclusive no Brasil”, afirma Fernando. O grande salto na carreira se deu com a mostra Project 66, no MoMa, Museu de Arte Moderna de Nova York, há onze anos. Premiados no exterior, eles têm coleções permanentes em museus e mostras individuais nos Estados Unidos e na Europa. Agora, experimentam novas atividades, como a cenografia e o paisagismo, e fazem escola.“Estamos formando designers com a mesma filosofia e o traço do inconformismo”, afirma Humberto.
Fernando (à esq.) e Humberto no Estúdio Campana, em São Paulo, com o biombo Zig Zag
 
“A poltrona (de bichos de pelúcia) Banquete, vendida pela Firma Casa, é ótima para a leitura. Cumpre as funções de estética, conforto e conceito”
 
A principal referência dos Campana é o arquiteto paulista Flávio de Carvalho, cuja poltrona de fitas de couro em anel de metal eles elegem como a peça de design preferida
 
 
"Quando estudamos um material, como o vime, fazemos exercícios com as novas peças a partir de uma cadeira” “Da experimentação, criamos as peças de vime da série TransPlastic, da qual faz parte a poltrona Café (foto), exposta em Londres” “Produzíamos peças de vime há 25 anos e voltamos a fazer agora, com nova proposta. Chegamos a uma visão mais madura” ”Se o design não atinge o conforto necessário no momento da criação, nunca descartamos a possibilidade de lança-lo no futuro, depois de pesquisar mais” "O sucesso da poltrona Favela criou para nós uma direção ecológica. Mas muitas vezes não conseguimos ser 100% verdes” “Entre os materiais que usamos, a madeira é sempre o pínus de reflorestamento. Madeira da Amazônia, nunca!” “Nosso processo de criação é escultural, mas o desenho é industrial, com a função de sentar ou de iluminar””
 
 
"Poderíamos fazer tudo monocromático, mas a mistura de cores ao acaso, como na poltrona Sushi, é o que dá o caráter de peça única. Nunca fazemos uma igual à outra”

“Nossas peças têm a marca da imprecisão e da modernidade, como a mesa Sushi e a cadeira Haromaki (foto). São para pessoas interessadas em refletir além do design, da coisa asseada”
 
 
"Quando éramos crianças, em Brotas, nos marcou muito o desfile de um carro alegórico com uma réplica da Catedral de Brasília (acima, à dir.), projetada por Oscar Niemeyer”, diz Fernando. Para os irmãos, o arquiteto é sempre uma inspiração. "Adotamos um modo de viver com formas diferentes do comum. Não conseguimos ver o mundo com outra leitura” “Antes de surpreender os outros, queremos nos surpreender. Não somos conformistas com tudo o que está dando certo” “Gostaríamos de ser democráticos, mas não dá para fazer móveis baratos com esse caráter de único. Transformamos um material banal em algo precioso"
“A luminária com galões plásticos e vime foi exposta em Londres, mas talvez ainda não esteja pronta para ser fabricada”
 
 
Irmãos paisagistas

“Criamos o paisagismo para o prédio da agência JWT Thompson, em São Paulo. Mas já fazíamos jardins desde criança, em Brotas, com nosso pai, que era engenheiro agrônomo.” Há algo das linhas modernistas de Lina Bo Bardi aqui: o concreto mistura-se à vegetação tropical
 
 
Fonte: Casa & Jardim