33ª IAF | World Fashion Convention: saiba o que vai acontecer com a indústria da moda!


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         IAF – SESSÕES ESPECIAIS: “PRECISAMOS SER DISRUPTIVOS PARA FAZER MUDANÇAS”

  

Sediada pela primeira vez no Brasil, a 33ª Convenção da International Apparel Federation (IAF), que acontece de 16 a 18 de outubro, no Rio de Janeiro, conta com o tema “Conformidade e Tecnologia – fatores-chave para a indústria e varejo”. Para inaugurar os momentos de conhecimento e trocas de experiências, são realizadas as chamadas “Sessões Especiais”, no dia 16, aquecendo os motores e trazendo ainda mais informações estratégicas.

O primeiro painel foi apresentado por Mike Fralix, CEO da [TC]² - empresa norte-americana especializada em alta tecnologia e demandas por robótica. Em sua apresentação, o executivo abordou questões sobre como efetivar a transição da indústria para automação e tratar para que o ser humano esteja integrado nesta transformação.

“Os empregos serão diferentes. Mas as pessoas ainda serão fundamentais para diversos processos. Afinal, algumas máquinas necessitam de operação, mesmo que à distância, de alguém que a faça”, afirmou.

Fralix contou sobre alguns cases já desenvolvidos, como a sewtable (mesa de costura em tradução livre), que permite que uma peça se mova entre uma máquina e outra sem interferência humana.

De acordo com o especialista, a mudança já está sendo feita em empresas do setor têxtil e de confecção dos Estados Unidos e na Ásia, nesta última com menos intensidade.

“Nós precisamos ser disruptivos para fazer mudanças. Além disso, temos que pensar na melhor qualidade dos produtos e na expansão dos negócios, fazendo com que as pessoas estejam incluídas nesse processo”, concluiu.


*Crédito de imagem: Guilherme Taboada



COMPLIANCE: MAIS OPORTUNIDADES DO QUE MOTIVOS PARA CULPA



O painel “Atuação de Governos e Instituições nas Demandas Internacionais de Compliance”, realizado em 17 de outubro, durante a IAF World Fashion Convention, no Rio de Janeiro (RJ), contou com discussões em torno de conformidade e quais são as possibilidades para as empresas diante de um mercado com cada vez mais exigências.

Renato Jardim, superintendente de Políticas Industriais e Econômicas da Abit, contou sobre os projetos da Entidade para viabilizar mais transparência e convergências às empresas do setor. “Nós vemos uma oportunidade para que as companhias sejam mais produtivas e tenham mais resultados. Mais inovação e dinamismo para um mercado que está em plena transformação. Nas empesas pequenas é mais difícil cumprir os requisitos de compliance. O que acaba fazendo com essas iniciativas produzam o efeito contrário ao que se propôs a fazer, o que é a exclusão das cadeias de valor. Temos que ter cuidado para que o compliance não seja um meio excludente para estas empresas. A Abit vê isso como ações colaborativas e não para apontar culpados”, destaca.

Roel Nieuwenkamp, CEO da OECD, conta um pouco sobre o trabalho da instituição, que é um como se fosse um órgão de responsabilidade corporativa voltado para países desenvolvidos. Desta forma, os governos destas nações têm o compromisso legal de estar de acordo com o requisitos da OECD. Entretanto a adesão das empresas não é obrigatória. “Somos um mecanismo de resolução de problemas. Portanto é uma iniciativa pro-empresas. Recebemos reclamações da sociedade civil em relação a algumas marcas e fazemos a mediação entre ambas as partes. Se a negociação falhar, fazemos uma avaliação de situação. Estamos ajudando as empresas em expectativas irrealistas”, afirmou. Ele ainda conclui: “Não precisa ser perfeito de início. Mas é importante sempre estar em processos de melhoria”.

A apresentação de Peter Poschen, diretor da OIT no Brasil, vai ao encontro à de Roel. “Melhorar parâmetros de trabalho não está apenas relacionado a direitos humanos, melhora a produtividade e competitividade”, disse Poschen. A Organização conta com um projeto chamado “Better Work”, com mais de 60 marcas que cresceram 25%, após a participação do programa. O executivo ainda afirma que o futuro do setor conta com a transformação da indústria e o cumprimento da exigência do mercado. “Melhorar o trabalho pode ser uma chave de melhora na competitividade, neste processo devem ser inclusos funcionários para um resultado mais transparente”, concluiu.

Fernando Pimentel, presidente da Abit, fez considerações sobre o tema. “O compliance tem que ser uma vida de mão dupla. Do fornecedor para o comprador e vice-versa. É um processo coletivo e não de fachada. Temos muitas convergências com o varejo. O Brasil está à frente nesta linha de políticas de sustentabilidade abrangente. São várias ações que vão convergindo para um estandarte”, avaliou. 

*Crédito de imagem: Guilherme Taboada



MARCAS SE UNEM PARA IMPLANTAR COMPLIANCE EM FORNECEDORES



painel 1 IAF

                 Da esq.para Dir.- Katia Hamada, Fabio Hering, Marissa MacGowan e Aleix Busquet

 O primeiro painel da Convenção IAF nesta terça-feira 17, reuniu grandes marcas do varejo e da indústria, nacional e internacional,  para falar como eles estão comprometidos com compliance e como eles trabalham com seus fornecedores.  Moderado pela gerente de marketing da DuPont, Katia Hamada, o debate ficou muito focado na questão de como o Varejo pode colaborar e não só pressionar os fornecedores para as regras de sustentabilidade.

Para a Fábio Hering, CEO da Hering, iniciativas de sustentabilidade não devem, inicialmente, prever lucro ou aumento do valor da marca, mas evitar a perda do valor, uma vez que consumidores e investidores exigem o cumprimento e implantação de tendências de mercado.

A Hering é uma indústria centenária que migrou também para o varejo na década de 90 e hoje tem mais de 740 lojas, sendo considerada a maior franquia de vestuário do Brasil. A Hering ainda produz parte de seus produtos, mas, a maior produção é feita por parceiros, sendo na maioria aqui no Brasil. Cerca de 25% da produção é feita na Ásia. “Para sairmos de um modelo onde produzíamos 100% dos produtos para um modelo híbrido, tivemos que criar um time de especialistas que não busca auditar, mas capacitar e cooperar com os fornecedores” , explicou Fábio Hering.  Ainda segundo o CEO, a Hering expandiu sua produção para diferentes estados , focando em pequenas cidades, onde os produtores foram treinados. Hoje, a Hering diz ser responsável por gerar cerca de 5 mil empregos e fixar essas pessoas em suas cidades. “Somando colaboradores diretos e indiretos, a nossa empresa gera 15 mil postos de trabalho”

O que dizem as grandes marcas

A vice-presidente de Responsabilidade Corporativa do Grupo PVH Corp, Marissa Pagnani MacGowan, que reúne grande marcas internacionais ( Tommy Hilfiger, Calvin Klein, Haritage  Brands)expôs o grande esforço que o Grupo vem fazendo para sair da linha de tiro de diversos grupos com diferentes representações (dos direitos humanos  até salários dos funcionários, passando pela diferença de gêneros) e buscando não mais ficar se defendendo, mas tentando acabar com o foco do problema. “Assim como a Hering no Brasil, não adianta pressionar parceiros, mas ajuda-los a superar o problema seja ele trabalhista, ético ou ambiental” disse Marissa. “Temos  237 ONGS que nos ligam questionando sobretudo. Por isso, temos que conhecer onde, como, por quem e em que condições todos os nossos produtos são produzidos”. Segundo a executiva da PVH, o conhecimento de todos os impactos tem que começar internamente. Ou seja, a diretoria e os designers têm que rever a forma como trabalham, criam, demandam e criam metas dentro da empresa, antes de exigir o que os parceiros não podem fazer. Nosso grupo vende para 1 milhão de clientes e está presente em 58 países. Podemos fazer a diferença.

Já o líder global de engajamento com parceiros da C&A, Aleix Busquet, vai mais longe e coloca na mesa a discussão sobre salários. “Temos que falar sobre isso. Sabemos que ainda há muita informalidade, em todos os 10 países que hoje produzem 80% de tudo que o mundo veste. E sabemos que há salários irrisórios, muito baixos” afirmou Busquet.

A C&A possui mais de  2 mil lojas, tem 176 anos de idade e é uma empresa familiar com várias gerações. Atualmente tem  60 mil funcionários e está presente em 21 países atendendo 100 milhões de clientes com 1 milhão de fornecedores. O Brasil produz 16% da produção. 

“Quando falamos de fornecedores falamos de exposição de milhões de lixo e uso de milhões de litros de água. Para fazer uma camiseta são necessários 7.200 litros de água. Temos que ajudar nossos parceiros nas melhores práticas, pois eles impactam na sustentabilidade”.

Em relação à questão salarial, Busquet ressalta que é preciso criar um mínimo para estes trabalhadores, mediante a realidade de cada País, mas 20 empresas de grandes marcas se uniram neste ano e assinaram um acordo para buscar conversar com representantes de trabalhadores e empresas desses países e começar este diálogo salarial. “ Sabemos que nós também tempos que mudar. Práticas como exigir alterações de última hora tem impacto muito grande nestes parceiros e temos que mudar isso. Compliance, traduzindo, significa Lei. Mas antes de punir, precisamos colaborar” conclui. 





VAREJO TÊXTIL: TECNOLOGIA PARA DIGITALIZAÇÃO, INTEGRAÇÃO, PRODUÇÃO, VENDA E PESQUISA


                            

Painel IAF com Matheus 2 Rios

Da esp. para Dir. Giuliano Donini, Matheus Fagundes, Adriana Oliveira e André Chaves

 

No penúltimo painel da Convenção Internacional de Moda da IAF, os impactos das novas tecnologias nas operações de varejo foram discutidas por especialistas, já na reta final do evento nesta quarta-feira (18) no Rio de Janeiro. Mediada por um grande confeccionista, Matheus Fagundes da empresa de lingerie 2 Rios, a roda de debates abordou temas como os consumidores millenius, a geração Y e Alfa. Também mostrou a revolução no varejo que a Amazon casou e ainda estão causando ao implantar sua própria fábrica de roupas e na iminência de aportar no Brasil. Por fim, um verdadeiro exemplo de como a indústria deve conversar com seus canais de venda e também se aproximar do consumidor final. Abaixo, um pequeno extrato da conversa.

4 Megatendências

“ A Lectra mapeou quatro grande tendências no mercado de moda que já estão impactando nas decisões de negócios da empresa e dos nossos clientes. São elas: a geração millenius, a digitalização dos processos, a indústria 4.0 e a China” explicou Adriana Oliveria,  Gerente de Conts da Lectra. “ É importante conhecer bem essa geração que tudo é melhor quando é “do meu jeito”, pois os millenius  somam mais de 2 bilhões de consumidores e é a maior geração trabalhadora da história”. A executiva da Lectra também destacou a importância da IOT (internet das coisas), da Inteligência Artificial, da disruptura da manufatura avançada onde os colaboradores deixam a cultura de “cada um no seu quadrado” da indústria 3.0  e agora são “todos juntos e misturados” da indústria 4.0. E, a atualização da China, que está saindo de um modelo de volume para uma produção de qualidade.

Amazon: parceiro ou concorrente?

E quem tem medo da Amazon? Segundo o sócio da consultoria Bain&Company, André Chaves, é preciso analisar se a Amazon será um parceiro ou um concorrente quando aportar no Brasil. Para isso, é preciso considerar o impacto de se tornar parceiro da Amazon.  Quais os riscos das marcas próprias? Quais produtos? Quais categorias? Comparados com quem? Como a loja física continuará relevante? Como reconhecer os principais clientes? Entenda bem sua estrutura de compras. Faz ou não sentido ser parceiro da Amazon? E com todos esses questionamentos, o palestrante explica que os riscos existem, mas se você tiver dados de seus consumidores e saber analisá-los conseguirá responder mais facilmente todas as questões.

Um único canal para todas as marcas

Por fim, o CEO da Marisol Giuliano Donini,  comunicou a nova guinada que a empresa está fazendo, unificando em um único canal todas as suas marcas, todo o CRM e a arquitetura das lojas físicas. Além disso, lançará em 30 dias sua série Lilica Ripilica na Discovery Kids. “ Esses são dois grandes movimentos que a nossa empresa está fazendo para concentrar os vários pontos de contato com nosso consumidor final, através do Clube Marisol. Contudo, nosso maior desafio é cultural, pois nosso franqueador embora tenha a ferramenta para imputar dados do consumidor, é desconfiado e acha que a indústria irá roubar os clientes e vender online” diz Donini.




CIENTISTA EXPLICA COMO AS CAMISETAS IRÃO CONVERSAR COM AS PESSOAS




Hinestroza

                                   Juan Hinestroza - professor da Cornell University

 

Durante a correria do dia, sua camiseta muda de cor para te dizer que sua pressão subiu, muda novamente a cor e avisa que você fez pouca atividade física, muda outra vez de cor e avisa que você tomou pouco sol ou não comeu direito. Acabou? Não. Sua camiseta ainda pode também enviar informações para seu médico dos níveis séricos e avisar que você está prestes a ter um ataque cardíaco! Sim, isso já está sendo testado pelos pesquisadores da Universidade de Cornell, EUA, juntamente com vários designers. “É um laboratório esquizofrênico, pois juntamos designers com ideias malucas com cientistas que se sentem desafiados em torná-las realidade” explica o cientista e professor Juan Hinestroza, que coordena esse laboratório de desenvolvimento de tecnologias têxteis na Cornell University e  foi convidado a palestrar no segundo dia (18/10) da Convenção Mundial de Moda da IAF, realizada no Rio de Janeiro pela IAF/Abit.

A linha de pesquisa desses cientistas é com nanolayers (camadas de microelementos químicos em dimensão nano) adicionados à fibra, especialmente algodão. “Sou colombiano e adoro algodão. Sempre imaginei como agregar propriedades a essa fibra e é isso que fazemos hoje”.

Dentre as criações da equipe de Hinestroza, estão as roupas que mudam de cor em função do tamanho e proximidade de partículas (tanto na forma de moléculas, quanto em átomos inseridos na trama do algodão) de elementos como Ouro, Platina, Vanádio, Prata, dentre outros. Tenistas da França estão testando esses protótipos: bolas de tênis mudam de cor conforme a trajetória e força empregada, alertando o atleta onde ele deve melhorar; suas bandanas  também alteram a cor quando o suor aponta alguma desidratação ou nível baixo de sódio. Outros testes também estão sendo feitos por jogadores do time de futebol do Barcelona, onde as camisetas também mudam de cor conforme o choque físico ou mecânico, podendo mostrar para os juízes faltas cometidas ou gol de braço.

Várias linhas de pesquisas estão sendo desenvolvidas neste laboratório  liderado pelo professor Hinestroza, como transistores nas roupas, camadas químicas cronológicas que liberam inseticida conforme a programação, tramas que filtram ou capturam gases poluentes, tudo utilizando elementos químicos e processos à base de água. E seriam todas viáveis comercialmente? Segundo Hinestroza, algumas sim. “Eu tenho a sorte de ser cientista e não me preocupar com o custo e a viabilidade. Meu desafio é desenvolver experimentos científicos. Mas, certamente muitas delas são viáveis. Visitei algumas empresas e percebi que o laboratório delas é basicamente uma reprodução do nosso, pois nossa base é a água. Cabe aos empresários ver o que é ou não viável. A mim, cabe resolver ideias malucas. E se você tem uma, fale com a gente” concluiu Hinestroza. 

Camiseta Smart

                           Camiseta muda de cor para passar informações





O DIÁLOGO REAL É MAIS IMPORTANTE DO QUE MARKETING PARA CLIENTES




Nos últimos anos, as empresas têm assistido uma verdadeira revolução na maneira em que os clientes consomem. As exigências por um comércio mais justo, sustentabilidade, customização e responsabilidade social são cada vez maiores. Com vistas em entender como aliar competitividade e transparência, os empresários buscam entender como podem se inserir neste meio.

“Durante muitos anos, as marcas eram construída longe da realidade do consumidor. Hoje temos o marketing de causa. O poder está nas pessoas e as marcas e colocam como parceiras para os temas que as pessoas defendem, pois quem não faz isso é detratado. 54,2 milhões de brasileiros dizem que defendem a sustentabilidade. O único tema maior foi o combate a corrupção”, revela Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

Para empoderar os clientes e ajuda-los na expansão da consciência de compra, o Project Just mantém uma plataforma online que possibilita a pesquisa da reputação de diversas empresas da indústria da moda em relação à responsabilidade socioambiental. “Baseada em nossa metodologia de pesquisa, usamos dados de marcas de diferentes segmentos e fizemos uma pesquisa para ter uma mostra do comportamento dos consumidores. Por exemplo:33% querem comprar marcas baseadas no impacto no meio ambiente e social que elas causam. Os consumidores querem ter alinhamento com esses valores e querem consumir mais eticamente”, afirma Jacinta Fitz Gerald, CEO do Project Just.

Ainda pensando na questão de novos negócios e em tempos que estão em mudança, Roberto Martini, CEO da Flagcx, afirma que a sociedade está indo para um caminho sem volta. “O mundo nunca vai ser menos fragmentado e não temos como ser assim, porque toda vez surge uma empresa querendo cortar o nó da rede porque ali há o valor da rede. Todos os negócios que estão em verticalidade e dominância devem ser fragmentado. Cada vez buscaremos mais verdade, pois é possível se tornar consciente, mas é algo que as pessoas estarão mais próximas”, destacou.

Para Rony Meisler, proprietário Reserva, as marcas devem respeitar um verdadeiro diálogo com o público-alvo e procurar sempre um propósito, pois este é o ingrediente de envolvimento entre cliente e grife. “Acreditamos nas pessoas e as coleções são criadas de acordo com causas que apoiamos. Gastamos muito pouco com marketing, pois conversar com os cientes é mais importante e envolve mais. Atuamos com transparência. Assim, entregamos um cupom gerencial, no qual detalhamos o faturamento bruto da peça e o lucro líquido para que as pessoas entendam a cadeia de custo para ter um negócio no Brasil”, salienta Meisler. “Fazemos questão de ter um fornecimento prioritariamente brasileiro, porque o melhor negócio ideologicamente está aqui, temos capacidade de fazer produtos de boa qualidade, gerando renda e negócios em nosso território”, alega.

O debate foi realizado em 17 de outubro, durante a IAF World Fashion Convention, no Rio de Janeiro.

*Crédito de imagem: Guilherme Taboada




PESQUISA SOBRE A MODA GLOBAL APONTA BAIXO SCORE EM SUSTENTABILIDADE



 

A pesquisa Pulse of the Fahion Industry, realizada neste ano no Copenhagen Fashion Summit, mediu as diferentes pontuações ao longo da Cadeia de Valor da indústria da moda no mundo. As pontuações, apresentadas por Sebastian Boger, diretor do The Boston Consulting  Group,  variam por tamanho de empresa, por segmento atendido e por etapa que atende dentro da Cadeia. De forma geral, a pesquisa realizada com 100 executivos mostrou que a moda não vai muito bem na questão ambiental, principalmente.

De um índice que varia de 1 (menos sutentável) a 100 (mais sustentável):

- A pontuação média da indústria da moda: 32

- As marcas mais avançadas alcançaram 62 pontos

- As menos avançadas, 11 pontos.

- Empresas de segmento Premium alcançaram entre 60 a 69 pontos

- Em todo o mundo, as empresas que têm baixa pontuação representam 50% (metade)

- O segmento de Sport Wear é a de maior média de pontuação: 70%

- A etapa de processamento (fiações, tecelagens) alcançam notas acima da média: 38 (algumas chegaram a 80 pontos)

- Designers e acabamento tiveram o menor score: abaixo de 20.

Concluindo a Pesquisa, Boger diz que 80% de todas as empresas de moda pesquisadas têm metas de sustentabilidade. Mas, somente 30% já estão colocando isso nas decisões estratégicas. Também é necessário que os designers das empresas levem em conta o material escolhido para não impactar no final da Cadeia.

Sustentabilidade é oportunidade e não ameaça. Já foi comprovado na prática por quem fez e continua fazendo. O volume devestuário no mundo continuará crescendo.  A demanda passará de 62 milhões de toneladas para 102 milhões de toneladas de vestuário em 2020, faturando cerca de 160 bilhões de euros. “Há uma oportunidade lá fora e a hora de começar é agora. Se empresas não fizerem nada nessa área perderão valor, anualmente” conclui Boger.

O palestrante disse que não é o consumidor que irá mudar o cenário, pois ele segue as tendências, não faz. As empresas terão que fazer de forma coletiva seguindo seis passos:

1.A indústria deve liderar e não deixar o governo fazer.

2. Deve ser criada uma Agenda comum

3. Colaboração pra criar inovação (com startups, por exemplo)

4. Suporte regulatório (aí sim com apoio do Governo)

5.Consolidação dos esforços

6. Consumidor deve ser levado nessa jornada. Não terá papel de liderança, mas deve ser informado.




DIGITALIZAÇÃO PODE NÃO SER A ÚNICA SOLUÇÃO PARA A INDÚSTRIA




A digitalização dos processos é algo muito importante. Entretanto, se trata de um facilitador e não quer dizer que a situação de uma fábrica será melhorada com essa mudança. A informação foi apresentada no painel “Cenário Mundial da Indústria e do Varejo de Têxteis e Confeccionados”, ministrado pela sênior expert da consultoria McKinsey, Saskia Hedrich, durante a IAF World Fashion Convention, em 17 de outubro, no Rio de Janeiro (RJ).

“É muito importante entender a digitalização, acho que é essencial tornarmos dados analógicos em digitais. Mas não é somente isso. Você  tem que saber como alavancar esses dados, mudar processos e, finalmente, isso pode levar a modelos de negócios totalmente novos” revela a especialista.

Outra informação foi trazida com a apresentação. “A impressão digital chama a atenção dos players da indústria, mas a análise mostra que muitos estão hesitantes em aplicar esta tecnologia, porque precisam de várias mudanças e isso pode ser assustador”, destacou.

No âmbito da digitalização em combinação com compliance, Hedrich é categórica: “Com a adoção de RFID é possível melhorar a cadeia de fornecimento. Esta é uma prática que não muda só sua organização, mas deve mudar a relação com fornecedores também”.

Ela ainda finaliza: “Existem desafios e quero incentivá-los a pensar além do compliance. O que vemos é que os líderes da indústria pensam com um mindset diferente dos millennials. Mas é importante saber que sustentabilidade é mais do que compliance”.

As informações explanadas neste painel trazem resultados da Pesquisa McKinsey Apparel CPO 2017, que foi respondida em sua maioria por empresários do setor têxtil e de confecção europeus e norte-americanos.

*Crédito de imagem: Guilherme Taboada




PARTICIPAÇÃO HUMANA É UM DOS MAIORES DESAFIOS DA INDÚSTRIA 4.0



As pessoas deixarão de trabalhar na confecção? Esta é uma das questões mais latentes em tempos de automação, uso de dados e adoção de robôs para executar tarefas antes feitas por humanos. Ainda não se sabe o que virá adiante, visto que especialistas e players da indústria se dividem em relação ao tema. O painel “Os Desafios da Indústria na Transição para o Modelo de Manufatura Avançada”, realizado em 18 de outubro, durante a 33ª IAF World Fashion Convention, no Rio de Janeiro, contou com a presença de empresas de renome para um debate cheio de conteúdo.

A conversa foi mediada por Braz Costa, diretor geral do Citeve, que abriu o painel com perguntas instigadoras. “O setor têxtil e de confecção foi o motivador da indústria 1.0, estivemos na 2.0 e fomos precursores no 3.0. Temos uma cadeia muito bem integrada. Acredito que já estamos atuando na indústria 4.0,  mas trabalhar neste parâmetro é controlar os meios eletrônicos? Qual é o desafio? Estamos preocupados com automatização, mas será isso o suficiente?”, questionou.

Um dos maiores fabricantes de vestuário do mundo foi o primeiro a trazer reflexões sobre os avanços da manufatura. John Cheh, vice-presidente do Grupo Esquel, destaca que apesar de suas plantas fabris serem altamente digitalizadas, visto que a empresa produz 100 milhões de camisetas de algodão ao ano, a valorização dos colaboradores é um ponto essencial para o sucesso. “Não se trata somente de automação, mas de qualidade, consistência e desempenho. Nossos robôs economizam trabalho maçante. A mão de obra humana é muito importante. Por isso, estamos reduzindo as horas de trabalho dos nossos funcionários, enquanto o pagamento aumenta e melhoramos a competividade de custos por meio da eficiência”, releva o executivo.

John ainda ressalta a importância de qualificar os profissionais para que estes tragam melhores resultados e seja construída uma imagem sólida. “Precisamos de suporte digital. Entretanto temos que conceber que isso tem a ver com a inteligência humana e essa é a mudança. Não pense em pagar pouco a essas pessoas. Temos que mudar essa mentalidade. A indústria 5.0 está relacionada a fazer a diferença. Temos que criar empregos e produtos de qualidade, fazer coisas pelas comunidades locais”, afirmou.

Uma possível solução para a demanda por digitalização de pequenas empresas antes que percam espaço no mercado foi apresentada pelo fundador da Sewbo, Jonathan Zornow. “Algumas operações de automação são difíceis de financiar, dependendo do porte da companhia. O que eu fiz foi desenvolver uma tecnologia para certos tecidos que parecem um papel. Acredito que isso pode ser uma rota mais fácil para completar a automação. Apesar do ceticismo, o futuro é brilhante para a automação. É uma tendência bem clara de que os custos trabalhistas vão aumentar.  Então, se você esperar muito, deve ficar para trás. Acho que as pequenas fábricas devem adotar essa tecnologia, ou haverá um eclipse de players maiores, pois estes investem muito nesta área. Devem procurar alternativas para competir em escalas globais”, alerta.

Outro grande player da moda que participou da discussão foi Joachim Hensch, diretor geral da Hugo Boss. De acordo com o líder, as mudanças que o setor de vestuário vem passando se tratam de um caminho sem volta. “Todo mundo está indo para todos os lugares. Isso muda os princípios de como as empresas estão sendo operadas. Temos que ser mais ágeis, ter nova abordagem de operação de fábrica, estar mais digitalizados. Informação é importante, reduzir relatórios, entender o cliente”, ressaltou.

Sobre a participação humana, Hensch acredita que este é um momento de transição e não de disrupção. “Quais empregos serão extintos? Quando computadores passaram a ser usados, imaginava-se que secretárias perderiam o emprego, mas isso não aconteceu exatamente assim. Precisamos de engenheiro para progressos e profissionais qualificados nessa indústria. Isso é apenas uma transição, talvez alguns não tenham um emprego padrão, mas terão outros tipos de trabalho, acho que isso é algo lento”.

 Já na visão de Anton Schumann, consultor sênior da Gherzi, o lema das empresas deveria ser digitalizar ou morrer. “A digitalização já está acontecendo. Não temos como parar as mudanças. Não é uma disruptura, é uma mudança de um modelo que já existe há 200 anos. Na verdade, o que mudou nos últimos anos foram os clientes. Então você não digitalizar, vai perder o negócio. A digitalização é uma questão de consciência. Tem que mudar o mindset da empresa inteira. Faz parte do empreendedorismo e da filosofia da empresa”, alertou.

Para o especialista uma das maneiras de se diferenciar neste meio é criar um verdadeiro diálogo com os clientes e fazer com que eles se sintam atraídos pela marca. “Eu só preciso de um conteúdo e contar uma história. Você tem que ter uma história para falar do seu produto e uma proposta para seu cliente. Se você não mudar, vai ter que chegar ao âmago da sua companhia para entender que pode ser melhorado”, concluiu.





MILLENNIALS TÊM CONSCIÊNCIA DE COMPRA DE MODA DEFINIDA





Representatividade, transparência, conectividade, story telling. Estas são algumas das palavras-chaves que vêm sendo comentadas constantemente em redes sociais, nas conversas pelas ruas, nas propagandas e até mesmo nos discursos políticos. Mas o que será que realmente os consumidores esperam das marcas e até mesmo da indústria? O último painel da 33ª edição da IAF World Fashion Convention, realizado em 18 de outubro, contou com uma dinâmica diferente para tratar do assunto. Seis potenciais clientes de moda foram convidados pela consultora de moda, Renata Abranchs, a subir ao palco e tomar o local de fala.

A roda de conversa abordou pontos como transparência, novas maneiras de compra e representatividade. Além de apresentar dados instigantes, os consumidores foram questionados sobre suas intenções de compras para trazer uma experiência mais próxima da realidade das pessoas.

“É realmente essencial que as empresas se comuniquem de maneira honesta, pois a confiança e a geração de bem-estar fazem muita diferença”, afirmou Renata Abranchs.

Daniel Kalleb, Juliana Prata, Lara Espinoza, Lorenzo Cavichioni, Luma Nascimento e Adriana (convidada durante a apresentação) são millennials e têm particular interesse em moda. Desta forma, eles responderam questões sobre como se sentem tratados pelas grifes deste setor.

“Não me sinto totalmente representada hoje, mas acredito que as coisas estão melhorando”, relevou Luma.

“Eu era mais consumista. Hoje penso mais antes de comprar tudo o que quero. A única que peça gasto muito é com meia. Sou compulsivo por meias”, disse Lorenzo.

Já para Juliana Prata, é difícil ainda confiar em uma marca. “Depois de ver uma série com blogueiros noruegueses que viram a produção de peças no Camboja, passei a me importar mais de onde vêm minhas roupas. Olho as etiquetas, mas ainda acho complicado saber a verdade”.

Esta é uma questão que também está nas mãos dos compradores na opinião de Daniel. “Quando surge um caso de trabalho escravo, os internautas vão às redes sociais e pressionam as empresas por condições melhores”.

Lara faz coro. “Trabalho com uma marca de acessórios e pude acompanhar processos de fabricação de perto. Hoje tento ao máximo entender de onde veio o que compro. Também pesquiso a cultura da empresa em relação aos funcionários”.

Adriana acredita que é possível conciliar consumo e sustentabilidade sem problema algum. “Sou muito consumista, tenho mais de 80 pares de sapato. Mas por outro lado, acho que é muito necessário pensar em transparência e sustentabilidade”.

Enriquecendo ainda mais o debate, foi feita uma pesquisa eletrônica de respostas instantâneas com os congressistas para saber a relação dos mesmos com as questões apresentadas pelos convidados e pela facilitadora.





"O Fashion2B surgiu para disponibilizar ao setor de têxteis, confecções, lojas multimarcas e consultoras, informações valiosíssimas e filtradas sobre as Tendências de Moda em tempo real. Fornecemos a pesquisa de cores, estampas, formas e modelagens incluindo acessórios no geral. .Temos uma equipe no exterior acompanhando as feiras, desfiles, vitrines, street style com o nosso "olhar", para que os profissionais ganhem tempo além de poderem interagir conosco solicitando pesquisas pontuais que serão postadas para todos os membros. Hoje temos um trabalho intenso de pesquisa nas Redes Sociais onde acompanhamos as melhores influentes do mundo e as marcas que fazem a diferença, diariamente. Dessa forma, além das análises dos desfiles internacionais, temos as novas tendências que surgem no dia a dia e que se tornam Desejo de Consumo imediato. O nosso trabalho não é feito com "volume" de fotos e sim com "qualidade" na seleção das fotos."
Cláudia Manhães